Fator R do Simples Nacional: o guia completo (2026)
Se você presta serviço como PJ — desenvolvimento, consultoria, design, engenharia — existe uma única variável que decide se sua empresa paga 6% ou 15,5% de imposto na primeira faixa de faturamento: o Fator R. A maioria das calculadoras do mercado ignora essa conta ou trata como detalhe. Aqui vai o guia completo, com a fórmula, o que conta como folha e exemplos reais calculados pelo nosso motor de cálculo.
O que é o Fator R
O Fator R é a regra da Lei Complementar 123/2006 (art. 18, §§4º-E a 4º-J) que decide, dentro do Simples Nacional, se uma empresa de serviços é tributada pelo Anexo III ou pelo Anexo V. A fórmula:
Fator R = folha de salários (últimos 12 meses) ÷ receita bruta (últimos 12 meses)
Se o resultado for 28% ou mais, atividades intelectuais — TI, consultoria, engenharia, arquitetura, publicidade, e outras — saem do Anexo V e passam a pagar pelo Anexo III. Abaixo de 28%, ficam no Anexo V.
Anexo III vs. Anexo V: a diferença real
Alíquota efetiva por faixa de RBT12 (receita bruta em 12 meses)
| RBT12 (12 meses) | Anexo III (Fator R ≥ 28%) | Anexo V (Fator R < 28%) |
|---|---|---|
| até R$ 180.000 | 6,00% | 15,50% |
| R$ 240.000 | 7,30% | 16,13% |
| R$ 300.000 | 8,08% | 16,50% |
| R$ 400.000 | 9,09% | — |
Na primeira faixa a diferença é quase o triplo. Para um prestador solo faturando R$ 10.000/mês (R$ 120.000/ano), isso significa a diferença entre pagar R$ 600 ou R$ 1.550 de DAS todo mês — R$ 950/mês, ou mais de R$ 11 mil por ano.
O que conta como "folha de salários"
A folha do Fator R soma, nos últimos 12 meses:
- Salários, 13º e férias de empregados registrados
- Pró-labore de sócios — o item mais relevante para quem atua sozinho
- INSS patronal sobre a folha
- FGTS
Não entra: distribuição de lucros. Isso é o que torna o pró-labore a principal alavanca para quem é sócio único — é o componente da folha que você controla diretamente, mês a mês.
Exemplo real: como o pró-labore muda o Fator R
Empresa fatura R$ 10.000/mês de forma constante (RBT12 = R$ 120.000). Veja o Fator R e o anexo aplicado conforme o pró-labore do sócio sobe:
| Pró-labore mensal | Fator R | Anexo | DAS do mês |
|---|---|---|---|
| R$ 1.621 (mínimo) | 16,21% | V | R$ 1.550,00 |
| R$ 2.000 | 20,00% | V | R$ 1.550,00 |
| R$ 2.500 | 25,00% | V | R$ 1.550,00 |
| R$ 2.800 | 28,00% | III | R$ 600,00 |
| R$ 3.000 | 30,00% | III | R$ 600,00 |
O ponto de virada
Entre R$ 2.500 e R$ 2.800 de pró-labore, o DAS cai de R$ 1.550 para R$ 600 — uma economia de R$ 950/mês só por ajustar quanto o sócio retira formalmente. O pró-labore mais alto também aumenta o INSS do sócio (11%) e o IRRF sobre ele, então o cálculo certo é sempre líquido final, não só o DAS. É exatamente essa conta que a calculadora resolve.
Um caso completo: convertendo salário CLT
Pegue alguém que ganha R$ 10.000 de salário bruto CLT e está avaliando virar PJ. Com pró-labore no mínimo (R$ 1.621), o Fator R fica em apenas 14,3% — Anexo V — e o faturamento necessário para igualar o pacote CLT (13º, férias, FGTS inclusos) é de R$ 11.338,64/mês.
Subindo o pró-labore para R$ 3.180, o Fator R sobe a 30,65%, a empresa migra pro Anexo III, e o faturamento necessário cai para R$ 10.375,15/mês — quase R$ 1.000 a menos por mês, exigindo cobrar menos do cliente para o mesmo dinheiro no bolso.
Teste com o seu número
A calculadora resolve isso pra qualquer salário: mude o pró-labore e veja o Fator R, o anexo e o faturamento necessário mudarem em tempo real — e, quando há economia real, uma dica com o valor ótimo aparece pronta para aplicar.
Perguntas rápidas
Preciso recalcular o Fator R todo mês?
Sim — tecnicamente ele é apurado mensalmente com base nos 12 meses anteriores (RBT12), então empresas com faturamento ou pró-labore variável podem migrar de anexo ao longo do ano. Contadores costumam projetar isso com antecedência.
Fator R vale para qualquer atividade?
A regra é relevante para atividades que a LC 123/2006 lista como sujeitas a Fator R (majoritariamente serviços intelectuais). Atividades já enquadradas no Anexo III por natureza — manutenção, agências, academias, entre outras — não precisam da conta.
E se eu não puder pagar um pró-labore alto?
O pró-labore mais alto custa mais INSS (11%) e IRRF na hora — o ganho é no DAS, não é grátis. Por isso o cálculo certo compara o líquido final do sócio, não só a alíquota do Simples. Veja o breakdown completo na calculadora.
Quer testar isso com o seu número?
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