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CLT ou PJ em 2026: o guia completo (com a conta real)

·9 min de leitura·clt x pj, fator r, simples nacional

"PJ precisa ganhar 30% a mais que CLT para compensar" é a regra de bolso mais repetida do mercado — e ela está errada com frequência suficiente para custar dinheiro real. A resposta certa depende do Fator R, dos seus benefícios CLT e do pró-labore escolhido. Aqui está a conta completa, sem atalho.

O que o CLT tem que o PJ não tem

ItemCLTPJ
13º salário1/12 do bruto por mês, líquidonão existe — precisa auto-provisionar
Férias + 1/31/12 + 1/36 por mês, líquidonão existe — precisa auto-provisionar
FGTS (8%)depósito mensal, patrimônio do trabalhadornão existe
Multa de 40% do FGTSna rescisão sem justa causanão existe
Seguro-desempregosim, se elegívelnão existe
Custo de contabilidadenão pagaR$ 150–500/mês
Flexibilidade de tributação (Fator R)não se aplicapode reduzir imposto ajustando pró-labore

O pacote CLT completo — não é só o salário líquido

Comparar CLT com PJ olhando só o contracheque do mês subestima o CLT. O jeito certo: somar tudo que chega ao longo do ano — 13º líquido, terço de férias líquido, FGTS — e dividir por 12.

Salário bruto CLT → líquido mensal vs. pacote mensal total

Salário brutoLíquido do mêsPacote mensal total (com 13º/férias/FGTS)
R$ 3.000R$ 2.751,40R$ 3.320,68
R$ 5.000R$ 4.498,49R$ 5.384,63
R$ 8.000R$ 6.040,64R$ 7.412,23
R$ 10.000R$ 7.442,36R$ 9.152,84
R$ 15.000R$ 11.067,36R$ 13.625,06

Em todos os casos o pacote total é entre 20% e 27% maior que o líquido do mês — essa diferença é o que o PJ precisa cobrir só para empatar, antes de qualquer imposto do lado PJ.

O lado PJ: não é uma alíquota fixa

Do faturamento saem, nesta ordem:

  1. 01DAS do Simples Nacional — Anexo III (a partir de 6%) ou Anexo V (a partir de 15,5%), decidido pelo Fator R
  2. 02INSS do sócio — 11% sobre o pró-labore, até o teto de R$ 8.475,55
  3. 03IRRF sobre o pró-labore — mesma tabela + redutor da Lei 15.270/2025 que vale para CLT
  4. 04Custo de contador e demais despesas da empresa

O que sobra é o lucro distribuído — isento até R$ 50 mil/mês; acima disso, a Lei 15.270/2025 retém 10% (irrelevante para a maioria dos prestadores solo).

Exemplo completo: R$ 10.000 CLT, quanto cobrar como PJ

Pacote CLT total: R$ 9.152,84/mês. Com pró-labore no mínimo (R$ 1.621), o Fator R fica em 14,3% (Anexo V) e o faturamento necessário para igualar é de R$ 11.338,64/mês — 1,13× o bruto CLT.

Ajustando o pró-labore

Subindo o pró-labore para R$ 3.180, o Fator R passa de 28% (Anexo III) e o faturamento necessário cai para R$ 10.375,15/mês — uma diferença de R$ 963,49 por mês só de ajuste tributário, sem trabalhar mais.

O que a regra de bolso ("30% a mais") erra

  • Ignora se a empresa cai no Anexo III ou V — a diferença de imposto pode superar os próprios 30%
  • Ignora benefícios CLT específicos (plano de saúde, VR/VA) que precisam de equivalente no orçamento PJ
  • Ignora o custo de contador e demais despesas fixas da empresa
  • Não escala: o multiplicador certo muda com o salário, os benefícios e o pró-labore escolhido — não é uma constante

A conta certa, na prática

Não existe atalho confiável que substitua calcular os dois lados com as tabelas do ano vigente. É exatamente isso que fizemos: motor de cálculo com INSS, IRRF em duas camadas, Simples com Fator R automático e cada premissa visível na tela — sem cadastro, sem viés de quem quer vender CNPJ.

Quer testar isso com o seu número?

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